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Title:
METHOD FOR PRODUCING WHEAT FLOUR IMPROVING POWDERS INCORPORATING LIQUID ENZYMES AND LIQUID EMULSIFIERS PREVIOUSLY TREATED ENZYMATICALLY IN FOOD GRADE ADSORBERS
Document Type and Number:
WIPO Patent Application WO/2014/124509
Kind Code:
A1
Abstract:
The present patent application relates to the production of wheat flour improving powders incorporating liquid enzymes and liquid emulsifiers previously treated enzymatically in food grade adsorbers. More specifically, it relates to the incorporation of liquid enzymes and liquid emulsifiers treated previously with enzymes by a simultaneous spraying and mechanical mixing process with a food grade silica base. The main aim of this invention is to produce flour improving agents, with adsorbed liquid enzymes and liquid emulsifiers previously treated with enzymes on silicas, and providing increased functionality, chemical stability, shelf life (without requiring refrigeration) and ease of use in wheat flour mills and the manufacture of wheat dough and other products derived from wheat.

Inventors:
OLIVEIRA, Jadyr Mendes de (Rua Bandeirante Sampaio Soares, 230Vila Morumbi, -050 São Paulo, 05688, BR)
ESTELLER, Maurício Sergio (Avenida Fagundes Filho, 789 Apartamento 15, Vila Monte Alegre -011 São Paulo, 04304, BR)
BORGES, Rafael De Araújo (Rua Pantaleão Bras, 40 Apartamento 305, Jardim Esther -080 São Paulo, 05372, BR)
Application Number:
BR2014/000047
Publication Date:
August 21, 2014
Filing Date:
February 12, 2014
Export Citation:
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Assignee:
PROZYN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (Rua Doutor Paulo Leite de Oliveira, 199Butantã, -020 São Paulo, 05551, BR)
International Classes:
A21D2/26; A21D8/04; A23L3/3571
Domestic Patent References:
WO1995022606A11995-08-24
WO1985000380A11985-01-31
Foreign References:
BR9905463A2001-12-04
US20120201928A12012-08-09
BR8404421A1985-07-30
US4384045A1983-05-17
US4299848A1981-11-10
Other References:
NITSCHKE M ET AL.: "Biosurfactants in food industry.", TRENDS FOOD SCI TECH, vol. 18, 2007, pages 252 - 259
PEREIRA JR ET AL.: "Séries em Biotecnologia Vol. I - Tecnologia de Bioprocessos.", ESCOLA DE QUÍMICA - CT/UFRJ, RIO DE JANEIRO, RJ
SILVEIRA RT: "Produção de etanol por leveduras em biorreatores com células livres e imobilizadas utilizando soro de queijo.", DISSERTAÇÃO DE MESTRADO. FACULDADE DE AGRONOMIA, 2006, PORTO ALEGRE, RS
Attorney, Agent or Firm:
RICCI, Helcio Ferro (Avenida Indianopolis 2504, Planalto Paulista, -002 São Paulo, 04062, BR)
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Claims:
REIVINDICAÇÕES

1. PROCESSO DE OBTENÇÃO DE MELHORADORES DE FARINHAS DE TRIGO NA FORMA DE PÓ QUE INCORPORAM ENZIMAS LIQUIDAS E EMULSIFICANTES LÍQUIDOS PREVIAMENTE TRATADOS ENZIMATICAMENTE EM ADSORVENTES DE GRAU ALIMENTÍCIO, caracterizado pelo fato do processo de adsorção da enzima liquida ter inicio por retirada sua da câmara fria onde estão previamente armazenada e codificada, a qual será pesada, de acordo com o melhorador a ser fabricado, sendo, na sequência, carregada em tanque de inox, com agitação e temperatura controladas, ligado à um sistema de bombeamento e spray (pressurização) , que converte o liquido em goticulas (aspersão) , sendo, em paralelo, são carregados em misturador de aço inox, a sílica alimentícia e/ou outros adsorventes e/ou coadjuvantes, sendo ligado então a agitação do misturador de forma concomitante com o processo de aspersão da enzima líquida, sobre a base de pós, em sistema fechado, até que quantidade suficiente de enzima seja incorporada à matriz sólida, o que variar de 30 a 120 minutos, e, após o período de mistura, o pó será descarregado e embalado em barricas de fibra, de 25 kg, protegidas com saco plástico (polietileno) .

2. PROCESSO DE OBTENÇÃO DE MELHORADORES DE FARINHAS DE TRIGO NA FORMA DE PÓ QUE INCORPORAM ENZIMAS LIQUIDAS E EMULSIFICANTES LÍQUIDOS PREVIAMENTE TRATADOS ENZIMATICAMENTE EM ADSORVENTES DE GRAU ALIMENTÍCIO, caracterizado pelo fato do processo de hidrólise enzimática do emulsificante e adsorção em sílica ocorre tanque encamisado de aço inox, com agitação mecânica e temperatura controlada, serão adicionados o(s) emulsificante ( s ) , em quantidade descrita pela formulação sendo, o tanque sob agitação, aquecido até a temperatura ótima da enzima (de 30°C a 100°C) , sendo, nesta etapa, retirada amostra para leitura de pH e ajuste com ácidos ou hidróxidos, até ser atingido pH ótimo de atuação da enzima, e, após a estabilização da temperatura e do pH, será feita a adição da(s) enzima (s), sob agitação, e tem inicio o processo de hidrólise, que dura de 1 a 48 horas, dependendo do produto a ser obtido, e, após a hidrólise, avaliada pela viscosidade final e outros parâmetros de análise, é transferida para tanque pulmão e aspergida sobre uma matriz sólida de sílica, que foi obtida pelo processo de adsorção da enzima líquida da reivindicação 1.

Description:
PROCESSO DE OBTENÇÃO DE MELHORADORES DE FARINHAS DE TRIGO NA FORMA DE PÓ QUE INCORPORAM ENZIMAS LIQUIDAS E EMULSIFICANTES LÍQUIDOS PREVIAMENTE TRATADOS

ENZIMATICAMENTE EM ADSORVENTES DE GRAU ALIMENTÍCIO

Campo da Invenção

O presente relatório de Patente de Invenção se refere à produção de melhoradores de farinhas de trigo na forma de pó que incorporam enzimas liquidas e emulsificantes líquidos previamente tratados enzimaticamente em adsorventes de grau alimentício. Mais especificamente relata a incorporação de enzimas líquidas e emulsificantes líquidos previamente tratados com enzimas, por processo de pulverização e mistura mecânica simultânea em base de sílica alimentícia.

Antecedentes da Invenção

Enzimas são proteínas; polímeros de cadeia longa com aminoácidos Sucessivamente ligados uns aos outros através de ligações peptídicas, cuja sequência é determinada geneticamente, e apresenta atividade catalítica .

A atividade catalítica de enzimas tem sido utilizada pelo homem há milhares de anos, em vários processos, como, por exemplo, na fermentação do suco de uva para obtenção do vinho, e na fabricação de queijo e pão.

As enzimas podem ser obtidas de fontes tais como, animais, vegetais e de microrganismos e são amplamente empregadas para o processamento de alimentos, e em muitos outros ramos da indústria manufatureira .

Atualmente, quase todas as enzimas preparadas em escala industrial são extracelulares , porque seu isolamento dos meios ou caldos de cultivo é geralmente mais simples, embora se encontrem sob forma muito diluída nesses meios, o que pode tornar o seu isolamento muito dispendioso. Algumas proteases podem ser obtidas, na forma liquida, a partir de fontes vegetais, tais como, papaina, bromelina e ficina. A papaina é obtida do mamoeiro {Carica papaya) , a partir do liquido leitoso do fruto verde, ou do caule ou das folhas. A bromelina é obtida dos caules deixados nos pés do abacaxi ou do ananás comum, após a colheita do fruto, embora as folhas e o próprio fruto também a contenham, mas em menor quantidade. A ficina é contida no látex exsudado, resultante de incisões feitas nas cascas de figueiras tropicais, como o Fícus glabrata , Ficus carica e outras espécies.

Já o malte, o qual pode ser considerado como enzima amilolitica bruta é, seguramente, a enzima vegetal mais difundida .

Enzimas de glândulas e órgãos animais também apresentam produção limitada, por serem obtidas de subprodutos da industrialização de carnes, que por ser um recurso alimentar nobre, além de dispendiosos, tem oferta geralmente escassa. Um exemplo é o pâncreas bovino, que simplesmente congelado e moído, pode atuar como protease na "purga" de peles.

As enzimas microbianas, produzidas através do cultivo dirigido de microrganismos em substratos apropriados, não apresentam as limitações apontadas.

Havendo disponibilidade dos insumos do substrato ou meio de cultura, e sendo disponíveis e conhecidos o agente microbiano mais apropriado o método e a condução do cultivo, a produção é potencialmente ilimitada, dependendo da economia do respectivo processo.

As enzimas são catalisadores muito potentes e eficazes, e podem ser classificadas de acordo com vários critérios, sendo o mais importante o da União Internacional de Bioquímica (IUB), que estabelece seis classes. Oxidorredutases : são enzimas que catalisam reações de transferência de elétrons, isto é, reações de oxiredução (desidrogenases e as oxidases) .

Transferases : são enzimas que catalisam reações de transferência de grupamentos funcionais, como grupos amina, fosfato, acil, carboxil e outros, como, por exemplo, as quinases e as transaminases .

Hidrolases: são enzimas que catalisam reações de hidrólise de ligação covalente, sendo um exemplo as peptidases .

Liases: são enzimas que catalisam a quebra de ligações covalentes e a remoção de moléculas de água, amónia e gás carbónico, por exemplo as dehidratases e as descarboxilases .

Isomerases: são enzimas que catalisam reações de interconversão entre isômeros ópticos ou geométricos, por exemplo as epimerases.

Ligases: são enzimas que catalisam reações de formação de novas moléculas a partir da ligação entre duas já existentes, sempre à custa de energia (ATP) sendo um exemplo as sintetases.

As enzimas, por serem proteínas globulares de diversos tamanhos, são definidas por estruturas primária, secundária, terciária e quaternária.

A estrutura primária refere-se ao tipo de sequência dos aminoácidos na molécula protéica.

A estrutura secundária representa a estrutura espacial, tridimensional, que a molécula assume, formada pela associação dos membros próximos da cadeia polipeptídica, e mantida, principalmente, por pontes de hidrogénio, também chamada de estrutura helicoidal.

A estrutura terciária é a forma segundo a qual a estrutura secundária se arranja, se dobra e se enovela, formando estruturas globulares rígidas, e se estabiliza por ligações de diversos tipos, como, por exemplo, por pontes de hidrogénio, hidrofóbicas, iónicas, eletrostáticas e covalentes, sendo estas últimas representadas por pontes de dissulfeto entre os resíduos de cisteína.

A estrutura quaternária é a forma como diversas estruturas terciárias ou subunidades se associam.

A enzima, por ser uma proteína que catalisa ou acelera uma rèação biológica, pode ser definida como um biocatalisador , cuja natureza proteica determina a presença de certas propriedades, tais como especificidade de substrato, dependência da temperatura e dependência do pH .

No mundo inteiro o pão é um dos alimentos básicos mais comuns e de menor custo, e, devido às mudanças no setor de panificação e a demanda, cada vez maior, por produtos naturais, contribuíram para que as enzimas ganhassem grande importância na formulação de produtos de panificação .

A massa do pão é, normalmente, composta de farinha, água, fermento, sal e de algum outro ingrediente, como açúcar e/ou gordura. A farinha é composta de glúten, amido, polissacarídeos não amiláceos, lipídios e traços de minerais .

Tão logo a mistura desses ingredientes formam a massa, o fermento começa a agir sobre os açúcares fermentescíveis , transformando-os em álcool e dióxido de carbono, e a massa começa a crescer.

O amido é o maior componente da farinha de trigo, e o glúten é uma combinação de proteínas que formam ampla cadeia entrelaçada durante a formação da massa, e é este entrelaçamento de cadeias que segura os gases dentro da massa durante o seu crescimento e sua assadura no forno. A resistência desta cadeia entrelaçada é, então, muito importante para a qualidade final de qualquer pão, cuja massa cresce por ação do fermento.

Enzimas como as hemicelulases ou xilanases, lipases e oxidases podem melhorar, direta ou indiretamente , a resistência da malha do glúten, e, assim, melhorar a qualidade do produto final, o pão.

As alfa-amilases transformam os amidos da farinha de trigo em pequenas dextrinas, permitindo ao fermento agir de maneira mais constante durante a fermentação da massa; durante o seu crescimento, e durante os primeiros momentos no forno.

O resultado é um produto final com maior volume e uma melhor textura do miolo, e os pequenos oligossacarideos e açúcares, tais como a glicose e maltose, produzidos por estas enzimas, aumentam as reações de. Maillard, que são responsáveis pelo dourado da crosta, e pelo aroma de "pão quente".

Quando o pão não é mais fresco, ele perde a crocância e seu miolo endurece, e este fenómeno de "pão amanhecido" é responsável por perdas significativas, tanto para os consumidores quanto para os panificadores.

Acredita-se que o endurecimento da crosta e a perda de elasticidade do miolo do pão se devem a uma mudança na estrutura dos amidos.

Atualmente, já se produzem enzimas que prolongam o tempo e a conservação do pão.

Farinha com 2,5% a 3,5% de polissacarideos não amiláceos, que são polímeros (na maior parte pentosanas) , tem papel importante na qualidade do pão, devido a capacidade de absorção da água e interação com o glúten.

A adição de certos tipos de pentosanases ou xilanases, em dosagens corretas, melhora a maleabilidade da massa, dando-lhe maior flexibilidade, mais estabilidade, com maior elasticidade durante a assadura, resultando um volume maior e melhor textura do miolo.

A farinha de trigo comum contém 1% a 1,5% de lipídeos, alguns deles, especialmente os não polares, como os triglicérides, são ligados ao glúten, impedindo sua funcionalidade, e a adição de lipases funcionais modifica os triglicérides, alterando consequentemente sua interação com o glúten.

Assim, consegue-se uma cadeia entrelaçada de glúten com maior resistência, propiciando uma massa mais estável, um maior volume do pão e uma melhor estrutura do miolo.

Os oxidantes químicos, como os bromatos, azodicarbonamida e ácido ascórbico, são amplamente utilizados para reforçar o glúten, sendo que as enzimas oxidativas, como a glicose-oxidase, podem substituir o uso destes oxidantes químicos, com melhoria da qualidade do produto final.

Cada uma das enzimas anteriormente mencionadas tem o seu próprio substrato específico na massa de farinha de trigo, por exemplo as lipases os lipídios, as xilanases, os pentosanos, as amilases e os amidos; no entanto, como a interação desses substratos na massa e no pão é bastante complexa, a utilização de combinações de enzimas deve ser criteriosa, visto que, uma dosagem excessiva de uma enzima pode ter efeito prejudicial sobre a massa ou o pão, assim, por exemplo, o excesso de alfa-amilase fúngica ou hemicelulase/xilanase pode resultar em uma massa demasiadamente grudenta para ser manuseada pelo padeiro ou a masseira.

Portanto, seria benéfico para certos tipos de formulação utilizar uma combinação de enzimas com menor dosagem de alfa-amilases e xilanase, e menor dosagem de lipases ou glicose oxidases, para conseguir uma massa de consistência ótima, estável, com qualidade de pão, ou usar alfa-amilase maltogênica em combinação com alfa-amilase fúngica e xilanase ou lipase, para assegurar um miolo macio e um pão de ótima qualidade em termos de estrutura de miolo, volume, etc.

Emulsificantes

Uma emulsão é a mistura entre dois líquidos imiscíveis em que um deles (a fase dispersa) encontra-se na forma de finos glóbulos no interior do outro líquido (a fase contínua) , e são utilizados para manter uma dispersão uniforme de um líquido em outro, tal como óleo e água, estando entre os mais utilizados tipos de aditivos.

São exemplos típicos de emulsões o leite, gemas de ovos, a manteiga, margarina, maioneses e molhos de saladas.

Os emulsificantes sintéticos só começaram a ser usados na 2 a metade do século XX.

Surfactante, que deriva da contração de surface active agent ou agente de atividade superficial, é adequado ao uso em aplicações industriais que envolvam emulsificação, estabilização, lubrificação, espumantes, agentes de solubilização e dispersão.

Neste relatório, os termos emulsificantes e surfactantes são utilizados como sinónimos.

Vários são os emulsificantes reconhecidos como GRAS: Lecitina (CFR 184.1400), Monoglicerídeos (184.1505), Ácido éster diacetiltartárico de monoglicerídeos (184.1101), Sal monossódico de monoglicerídeos fosfatados (184.1521), Monoglicerídeos lactilados (172.850), Monoglicerídeos acetilados (172.828), Monoglicerídeos succinilados (172.830), Monoglicerídeos etoxilados (172.834), Monoestearato de sorbitano (172.842), Polisorbatos (172.836, 172.838, 172.840), Ésteres de poliglicerol (172.854), Ésteres de sacarose de ácidos graxos (172.859), Cálcio e sódio estearoil lactilado (172.844, 172.846), Ésteres de propileno glicol (172.858).

Por outro lado vários compostos de origem animal (enzimas pancreáticas) e enzimas microbianas ( fosfolipases ) são reconhecidos como agentes que exibem atividade emulsificante "in situ" e são utilizados como bioemulsificantes ou biosurfactantes naturais como alternativa aos produtos existentes.

Os emulsificantes são geralmente ésteres com uma cabeça hidrofilica polar (solúvel em água) e final lipofilico apolar (solúvel em óleo) .

Os ácidos graxos presentes em um emulsificante podem ser obtidos da gordura, óleo ou de uma fonte ácida gordurosa. Todas as gorduras e óleos são triglicerideos e os ácidos graxos podem ser obtidos por processos de hidrólise, seguida da destilação fracionada, conforme representados abaixo.

Glicerina Monoglicerideo Digliceridio Trigliceridio Adsorventes

O uso de adsorventes sólidos (carvão ativado) para limpeza e filtração de água é reconhecido de longa data.

A adsorção constitui um processo de transferência de moléculas de surfactante de uma solução liquida para uma superfície /interface .

A adsorção para a interface sólido-líquido desempenha importantes aplicações industriais em detergência, flotaçao de minerais, inibição de corrosão, dispersão de sólidos, recuperação de óleos, dispersão de herbicidas, remoção de pigmentos na produção de celulose, filtração de partículas ultrafinas, entre outras.

O comportamento de surfactantes na interface é determinado por um número grande de forças, e inclui atração eletrostática , ligações covalentes, ponte de hidrogénio, força de London-van der Waals, interações hidrofóbicas e solvatação de vários tipos.

Dentre os materiais suporte com capacidade de adsorver líquidos, a sílica possui propriedades interessantes, principalmente na sua superfície, devido à grande área superficial e a presença de grupos silanóis bastante reativos em sua superfície.

Esses grupos silanóis permitem à sílica se modificar quimicamente, por imobilização de grupos funcionais orgânicos contendo átomos de oxigénio, enxofre e nitrogénio, e, dessa maneira, consegue-se aumentar a capacidade de sorção e/ou troca iônica, e também a sua especificidade em relação a um determinado adsorbato.

Várias sílicas com características desejáveis, tais como, tamanho, dureza, estabilidade química, volume de poros e a área superficial, podem ser utilizadas.

O processo de adsorção de preparados enzimáticos gera imobilização das proteínas (adsorbato) da solução em uma superfície sólida (adsorvente) .

As interações entre o adsorvente e o adsorbato dependem fortemente de fatores como a natureza da atração entre as moléculas do adsorbato e a superfície do adsorvente, que pode existir nos dois tipos principais efeitos atrativos; os físicos e os químicos.

Nos químicos (quimissorção) ocorrem interações entre o adsorbato e o adsorvente formando ligações químicas fortes (iónicas ou covalentes) , e também pela troca iônica, na qual ocorre a troca de íons entre a superfície do adsorvente e a solução que contém os adsorbatos.

Nas físicas ( fisissorção ) ocorrem ligações de menor intensidade entre o adsorbato e o adsorvente.

A adsorção em solução é influenciada pelas constantes dielétricas dos solventes, onde os solventes com menores constantes dielétricas solvatam menos e interagem mais fracamente com a superfície do adsorvente.

Já se conhece do estado da técnica o documento de Patente BRPI-9905463-9, que descreve um processo de obtenção de polisorbato em pó e produto obtido, no entanto, o objeto da presente invenção difere em relação ao documento da técnica anterior, fundamentalmente, pelo fato de serem, através da presente invenção, obtidos produtos dotados de características funcionais mais avançadas, pois, por se tratar de processo biotecnológico que utiliza enzimas na bioconversão de subprodutos lipídicos, não limitada à incorporação de um único produto e químico adsorvido em sílica.

Ademais, no processo da presente invenção, além da sílica, na forma isolada, podem ser incorporados, em sinergia, outros adsorventes como carbonatos e amidos, permitindo menor uso da sílica.

O . processo da presente invenção permite ainda incorporar inibidores enzimáticos, estabilizantes de pH e complexantes de amido nas farinhas que apresentem baixo número de queda (Falling Number) , além de poder ser utilizado, juntamente com o adsorvente, crioprotetores de leveduras, permitindo o uso do melhorador em massas congeladas .

No processo da presente invenção, a adição de alfa- amilases de origem fúngica, bacteriana e amiloglicosidases , fornecem açúcar ao fermento e melhora a cor do pão; a adição de amilases maltogênicas retardam o processo de envelhecimento (retrogradação) e aumentam a maciez durante o armazenamento; a adição de proteases aumenta a extensibilidade de massas; a adição de glicotransferases , celulases, pululanase, furanosidase, arabinofuranosidase, esterases, beta-glucanase, e hemicelulases (pentosanases , xilanases) melhoram a absorção e controle de água na massa; a adição de lipoxigenases que ajuda na clarificação da farinha; a adição de enzimas oxidantes de farinha como glicose-oxidase , glutationa-oxidase , hexose-oxidase , lacase, polifenol-oxidases , peroxidase, sulfidril- transferase e sulfidril-oxidases melhoram o volume e a textura das massas; a adição de lacase e transglutaminases como reforçadores de glúten promove ganho de volume nos pães; a adição de enzimas com características lipolíticas ( glicolipase , fosfolipases, galactolipase ) incorporadas no melhorador propicia a obtenção de emulsificantes in situ e sua utilização como melhorador de farinhas destinadas à produtos com ovos (massas e bolos) , e, por fim. a adição de inibidores microbianos (bioconservadores ) que melhoram a vida de prateleira dos produtos panifiçados.

Sumário da Invenção

0 principal objetivo desta invenção é a obtenção de melhoradores de farinhas, com a adsorção de enzimas liquidas e emulsificantes líquidos previamente tratados com enzimas, em sílicas, que propiciem maior funcionalidade, estabilidade química, vida de prateleira (sem necessidade de refrigeração) e facilidade no manuseio para aplicação em moinhos de trigo e fabricantes de condicionadores de massas e derivados de trigo.

Descrição Detalhada da Invenção

0 processo de adsorção da enzima líquida tem início por retirada sua da câmara fria onde estão previamente armazenada e codificada, a qual será pesada, de acordo com o melhorador a ser fabricado, sendo, na sequência, carregada em tanque de inox, de 1000 litros, com agitação e temperatura controladas, ligado à um sistema de bombeamento e spray (pressurização) , que converte o liquido em goticulas (aspersão) .

Em paralelo, são carregados em misturador de aço inox, de 500 kg, tipo "ribbon blender" , a sílica r

alimentícia e/ou outros adsorventes e/ou coadjuvantes.

Liga-se então a agitação do misturador de forma concomitante com o processo de aspersão da enzima líquida, sobre a base de pós, em sistema fechado, até que quantidade suficiente de enzima seja incorporada à matriz sólida, o que variar de 30 a 120 minutos.

Após o período de mistura, o pó será descarregado e embalado em barricas de fibra, de 25 kg, protegidas com saco plástico (polietileno) .

O processo de hidrólise enzimática do emulsificante e adsorção em sílica ocorre tanque encamisado de aço inox, de 1000 litros, com agitação mecânica e temperatura controlada, serão adicionados o(s) emulsificante ( s ) , em quantidade descrita pela formulação.

O tanque, sob agitação, é aquecido até a temperatura ótima da enzima (de 30 °C a 100 °C) , sendo, nesta etapa, retirada amostra para leitura de pH e ajuste com ácidos ou hidróxidos, até ser atingido pH ótimo de atuação da enzima.

Após a estabilização da temperatura e do pH, será feita a adição da(s) enzima (s), sob agitação, e tem início o processo de hidrólise que pode durar de 1 a 48 horas, dependendo do produto a ser obtido.

Após a hidrólise, avaliada pela viscosidade final e outros parâmetros de análise, é transferida para tanque pulmão e aspergida sobre uma matriz sólida de sílica, que foi obtida pelo processo de adsorção da enzima líquida, descrito anteriormente.